quarta-feira, 23 de novembro de 2011

SURF OF THE DEAD



A banda Soda Billy começou em 2003 com um trio de baixo, guitarra e bateria já tocando temas de "vintage intrumental rock" ou mais conhecido como surf music, e manteve até hoje essa formação, apesar da entrada de novos intrumentos como o incendiário naipe de metais. Hoje a banda passeia por vários estilos, entre eles o jazz swing e o latin jazz. Isso levou alguns fãs a ficarem revoltados, mas nada que uma boa surfada não resolva. Nesta pequena entrevista o guitarrista da banda falará um pouco do lado surfer da Soda que sempre esteve ali presente, mesmo com os altos e baixos da maré baré e falará sobre o evento Zombie Walk onde a banda fará uma dose especial só de surf. Pegue sua prancha!


RETROGIRO: Surf em Manaus ? Como é isso Matheus??

Sim, certo domigo de manhã eu ia passando pela frente do Cig´s (zoologico do exercito) eu vi um aglomerado de pessoas na parada de ônibus e eis que no meio do povo havia um cidadão sem camisa e segurando uma prancha de surf, o cara estava esperando o busão "ponta negra" pra tentar pegar uma onda (risos), neste momento eu pensei: tem que rolar surf music em Manaus (risos). Bem, falando sério (mas o lance do surfista rolou mesmo) além do Pulp Fiction, que eu acho que deve ser o responsável em termos de divulgação do estilo para pelo menos 60% do povo que hoje curte, muita gente começou a curtir aí, mas houve uma dessas promoções de CD no Carrefour e lá tinha vários cds´s que o povo não comprava porque não conhecia, nesse bolo eu achei uma coletânea de swings, de doo wop e outra de surfs...todas muito boas. Acho que esse cd me ajudou muito.

RG: E o público? Curte ?

Sim, porque são musicas muito boas e todas tem melodias marcantes, além do que todo mundo assistiu a Pulp Fiction e Kill Bill. Mas sempre tem alguém sem noção que fica reclamando na frente do palco e gritanto: Tóca Raul porra! (risos), isso faz parte do shows de rock em qualquer cidade neste país...vi isso em Curitiba tb (risos).

RG: E porque um show só de surf ? É a primeira vez que isso ocorre, certo ?

Sim, na verdade esse é um sonho antigo meu. O surf é um dos fortes elementos musicais da banda..mesmo com o nome de "Soda Billy" ela foi sempre mais surf do que rockabilly, aliás a Soda nunca foi uma banda de rockabilly autêntico mesmo. No nosso cd o ouvinte tem ali pelo menos 4 surfs: Long long road, Surfando no Igarapé do 40, Kid Mostarda e Dizzy´s Surf que devem estar presentes no set dessa apresentação, além dos clássicos que agente ja faz, como The Ventures, Dick Dale e algumas atuais do Los StraitJackets.

RG: Além do que ja falou aqui, algo mais especial deve rolar ?

Sim, nesta ocasião teremos na banda tocando o show todo (pois o Ricardo Peixoto vai estar viajando nesta data) o nosso querido Renato Henriques que é de Campinas mas está agora aqui em Manaus, tocava na banda Del-O-Max e curte muito esse universo surf, vai ser muito legal fazer esse som com ele, que também vai atuar como DJ no dia. Além dele teremos o Tércio Macambira, nosso novo e talentoso batera, fazendo dobradinha junto comigo com a Dry Martinis (2ª banda) e com a Soda...Ah, ja ia me esquecendo, neste show não vou tocar com a minha semi acustica "Red Cherry", vou trazer à tona a minha velha companheira a Strato "Poison Ivy" ainda da época da Veneno da Madrugada, pois o timbre dela é bem mais surf que a outra...mas para os fãs da "Red Cherry", podem ficar tranquilos pois ela vai estar linda e maravilhosa no show da Drys..

RG: O que você acha dessas bandas novas que se intitulam "surf music" ?

Bem, isso definitivamente não é surf music, elas bebem na fonte do Ben Harper, que é um ótimo musico, enfim é uma otima referência, mas não é surf music, acho que deveria se chamar "lual hemp music"...(risos)

RG: E a cena no Brasil ?

Acho que a cena alternativa nunca esteve tão boa quanto agora, ha vários circuitos e várias possibilidades e o melhor, pessoas capacitadas envolvidas nisso de corpo e alma. Em Manaus temos o povo do Coletivo Difusão que tem dado show de bola na divulgação da produção local e isso tem rolado por todo esse país. Isso não é só bom para a cena surf mas para todo o "no mainstream", é uma democratização das possibilidades de divulgação dos trabalhos agora é claro, se em uma democracia você abre espaço para diversas opiniões e visões de mundo e se depara com opiniões boas e a mais pura idiotice, na democracia da cena alternativa musical ocorre o mesmo, muita banda autoral boa e muuuuuita coisa ruim querendo pegar carona na onda do "autoral", bem, mas isso é pano pra manga para outra entrevista....

RG: com certeza....(risos) .... e o Zombie Walk ?

Quinta edição do evento...um sucesso de participação espontânea das pessoas, show de criatividade...espaço para as bandas..enfim, uma otima mobilização ainda que sem motivos politicos, até porque ja existem varias mobilizações nesse sentido, o ZW não é neutro politicamente, porque não existe neutralidade politica, se fosse defini-lo politicamente eu o definiria como um movimento de livre expressão, tanto que ninguem é obrigado a se zumbificar, há quem prefira ir de caçador de zumbis ou de sobrevivente...é tão livre que se algum zumbi quiser levantar uma faixa contra uma usina hidrelétrica pertencente à Umbrella Corp. pode levantar à vontade! (risadas). Quatro otimas bandas manauaras vão estar fazendo um show a R$ 2,50 cada...mais barato que um salgado, que custa pelo menos uns 3 em qualquer padaria...a concentração será às 20h em frente ao CCAA da Djalma de lá segue às 21h ate o boulevard, depois ate a Major Gabriel e então ate a Tarumã que é a rua do Toca da Sinuca...as bandas começam às 22h...com apresentações de 40 minutos cada e intervalos com os Djs Henriques e Mônica Cardoso. Será uma noite bem divertida...as bandas são Tudo Pelos Ares, Dry Martinis, Playmobils (a true e não a fake) e Soda Billy.

RG: Valeu Matheus, nós do BLOG RETROMUNDO :: dias sim, dias não, do qual inclusive você faz parte (risos), desejamos um otimo evento!

Valew, obrigado em nome de todas as bandas e de todos envolvidos na produção do evento..forte abraço a todos e boa diversão!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Qualidade do público cinematográfico

Em agosto de 2010, durante uma semana, participei do curso ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, sobre “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográficas”. Para quem não conhece, o mesmo é Editor e criador do site Cinema em Cena. Fato é que o curso serviu não só para ensinar a “olhar o cinema”, mas principalmente desencadear nos participantes o senso crítico e uma leitura mais acurada de todos os detalhes que permeiam a obra transposta na tela.

Primeiramente, não se quer aqui estipular um gosto geral ou superior, isto é, não estou dizendo que todo mundo deve amar “Cidadão Kane” e considerá-lo o melhor filme de todos os tempos, eu particularmente ainda não compartilho desse “amor”, mas claramente sei identificar alguns bons motivos que levam tal filme a ser cultuado.

É por aí que destaco a qualidade do público, a capacidade de identificar os detalhes do filme, posicionamento de câmera, atuação, fotografia, direção de arte, figurino, montagem, etc. Pequenas características que comumente passam despercebidas, mas que podem influenciar ainda mais na sua admiração pela obra. Enfatizo questão explicitada no curso sobre a necessidade de justificar seu gosto e sua escolha, não se contentar simplesmente em dizer que o filme é ruim, ou bom, ou chato. O que te leva a pensar dessa forma? Não basta ver muitos filmes, é preciso talvez “degustar”, como se faz com o vinho. Mas saindo do sentido figurado, é preciso refletir sobre o que se viu, o que foi passado, a tal da mensagem, tudo faz parte. No mínimo, deve-se saber por que gostou ou por que não gostou.

Dois exemplos recentes, que percebi durante a projeção e serviram para formar melhor meu convencimento sobre as respectivas obras, talvez tenham me tornado um cinéfilo um pouco melhor e ilustram bem o assunto tratado.

Primeiro o filme RED. Especificamente falando do personagem do Karl Urban. Ele é apresentado falando com a mulher, dando o tom leve do filme, mas de repente já aparece friamente assassinando uma pessoa, chutando uma cadeira e fazendo com que a mesma se enforque. A partir daí, como se fosse uma cópia, o mesmo passa a desempenhar o papel daquele responsável por matar o mocinho, tal qual em Supremacia Bourne. Mas o caminho final que será seguido por ele só é devidamente mostrado quando o retrata como o pai de família, mostrando-o em casa no quarto da filhinha. O diretor simplesmente trouxe o público para perto e pode-se ter certeza absoluta que ao final ele não morrerá, ainda ajudará o mocinho. Por mais que pareça mero detalhe e passe despercebido, fato é que instintivamente o espectador foi levado pelo diretor a se afeiçoar ao “vilão”. Mas foi de mau gosto, artificial e acabou por tornar o filme mais sem graça ainda, adiantando inclusive o final.

Outro ponto está em “A Rede Social”, que me fez gostar ainda mais do filme. A cena em questão talvez seja a mais importante, pois retrata exatamente o momento em que Mark deixa de ser o simples geek inteligente para virar o “cara”. Falo da cena em que o personagem Sean Parker telefona para Mark, dizendo que foi preso, que armaram pra ele, mas que vai ficar tudo bem. Perceba a mudança no rosto de Mark, como ele deixa no ar que Sean não faz mais parte e que agora só há um responsável pelo futuro do Facebook, mas principalmente, repare no apagar de uma luz da sala ao fundo. Tenha plena certeza, não foi um equívoco, foi narrativa cinematográfica, um servente qualquer não apagou por acaso a luz enquanto o diretor filmava, resta saber o que aquele ato quis dizer pra você. Pra mim ele disse muita coisa, aquela cena me disse tudo: como nasceu o bilionário que hoje comanda uma das maiores empreitadas no mundo. Aquele momento é definitivo, deixou de ser aquele menino influenciado por todos, passou a ser o homem de negócios que comanda o Facebook, disse “acabou pra você aqui Sean”. É puro cinema, estudo de personagens.

Esses exemplos não só demonstram como a experiência de assistir a um filme pode ser ainda melhor, mas desencadeiam uma outra questão crucial para os dias atuais e que é o motivo do artigo: a partir do momento em que o público se tornar mais exigente, for mais instruído em termos cinematográficos, ler mais, entender mais, isso forçará os grandes estúdios e realizadores a buscarem também a qualidade dos filmes, o que enseja a própria evolução do cinema. Isso sempre aconteceu e sempre vai acontecer, mas pode se dar em maior ou menor medida desde que o público se mostre capaz de absorver essa gama de informações.

Tenho que dizer, sinceramente me incomoda ver pessoas que vão ao cinema simplesmente por não ter mais o que fazer, pra ver qualquer filme de qualquer forma, sem nenhuma pretensão de sequer prestar atenção ao enredo. Isso acontece diariamente e são esses tipos que geralmente falam durante o filme, atendem celular e fazem barulho. Ao final, os motivos por terem gostado ou não do filme nunca ficam claros, mas com certeza as expressões “é uma merda” ou “é do caralho” são repassadas aos amigos, sem um mínimo de substância para amparar.

No meu singelo pensar, é com qualidade no público que as transformações virão, sempre para melhor: melhores filmes, melhor distribuição pelas salas de cinema e pelos quatro cantos do país, debates, discussões e, ainda mais, a perspectiva de um cinema amazonense no futuro, forte e competitivo, instigante.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Gente nova no pedaço

Andei meio ausente nos últimos dias... sabem como é? Fim de um ano e começo de um novo são sempre atribulados.

O último post, como puderam notar, não foi feito por mim e sim pelo Sr. Matheus Gondim, também conhecido como o frontman da banda Soda Billy, banda da qual fui baixista por 03 anos, e que, recentemente, lançou seu primeiro CD autoral (muito bom por sinal! Recomendo). Ele passa a fazer parte das novos membros do blog, convidados por mim no intuito de agregar um pessoal de bom gosto e vasto conhecimento cultural pra enriquecer um pouco mais essas páginas.

Os outros convidados são Luís Henrique Medeiros, cinéfilo e fã de indie rock, Afrânio Azevedo, poeta, shoegazer convicto e recém descobridor das maravilhas do cinema do leste europeu e de outros cantos esquecidos do planeta e João Neto, punk rocker e colecionador de clássicos da telona.

Muitas novidades chegando! Acompanhem!

Abraços e um excelente 2011!