
Dizer que é muito bom quando o som ou a poesia que você curte influencia no seu trabalho é lugar comum, meio que óbvio para quem trabalha com criação. Isso se estende para outras áreas não necessariamente de vanguarda, pois as vezes algo simples, no aqui e agora, já é o suficiente para dar o contorno que é preciso. O tema dos zumbis não é novo na cultura pop e está longe ( e nem deve) de conseguir unanimidade entre os críticos, não à tôa, Saramago pediu para que tomassem cuidado com a adaptação de sua obra "Ensaio sobre a Cegueira" justamente para que não se tornasse (mais) um filme de zumbis. O exemplo do mestre Saramago é apenas um dos inúmeros existentes contrários à cultura zumbi, julgada de "mal gosto", demasiadamente "trash" e sem graça como qualquer outra coisa quando comparada aos monstros clássicos.
Assim, zumbis são malquistos e desprestigiados entre os críticos. Mas talvez porque seus olhares se prendem àquilo que é claramente visível na pele, diga-se de passagem, no podre, na decomposição, no sangue coalhado, grunidos, olhos saltados e esbranquiçados e todos os recursos que os mestres de maquiagem conseguem trazer para a tela. O fato é que há pouca reflexão sobre esses mortos que andam.
É possível captar uma representação nessa temática ? Creio que sim, afinal o que está sendo dito é que a sociedade contemporânea, assim como qualquer outra coisa que se configura no plano real das coisas, é passível de um fim e que este fim pode se apresentar de várias formas, mas independente da forma como se configura a ameaça, seja através de um vírus, de um cometa, de vampiros, de terroristas, de fanáticos religiosos, etc, sempre o que está sendo ameaçado são os laços afetivos, os laços que nos unem. Engana-se quem pensa que é a propriedade. Eu aposto que se houver um novo Orson Wells em nosso tempo a falar na rádio, televisão ou internet sobre uma ameaça em larga escala e com alto poder de destruição se você, caro leitor, não vai pensar (digo se preocupar mesmo) imediatamente nas pessoas que você ama, seu filho ou filha e sua amada(o)...foda-se o carro novo, a geladeira cheia de bohemias, sua coleção de selos e discos...você vai querer muito é ver essas pessoas. Exemplo disso foi o apagão ocorrido há poucas semanas atrás aqui em Manaus, onde a perda de sinal elétrico naquela noite inviabilizou todo e qualquer tipo de comunicação e de locomoção das pessoas, elevando a tensão nas ruas e nos locais de grande concentração de pessoas como shoppings, onde as pessoas não conseguiam sair do estacionamento devido à escuridão e outras ficaram presas por horas nos elevadores.
Não à tôa, em filmes de zumbi, esse recurso é bastante utilizado para aumentar a tensão em algum momento: o pai ou namorado que cruza a cidade infestada para tentar achar seu ente querido, o que geralmente acaba dando errado. Ao contrário do personagem caipira de raiz Daryl Dixon, que procura manter apenas uma taxa de 10% envolvimento com os demais sobreviventes de The Walking Dead e acabou se tornando um ídolo na série, porque a aparente ausência de envolvimento emocional o torna livre a ponto de seguir trilhas sozinho munido de um Horton Scout crossbow (tipo de arco) com apenas uma flecha. Mas não se enganem, ele talvez seja um dos personagens que mais sente essa agonia a qual me refiro, essa agonia do NADA, de até então lutar contra uma sociedade injusta e simplesmente um dia acordar com ela em pedaços e não saber lidar com isso, sentir na pele a angustia de viver em um lugar tomado pelo nada, ali por onde a morte andou.
Esse é o mérito do roteiro zumbi, seja ele adaptado para uma HQ, um curta ou longa, não é apenas o "gore", o trash e o xarope de groselha, mas a sensação de desamparo que um mundo tomado por mortos proporciona aos que ainda conseguem sentir isso. E os filmes de zumbis que conseguiram obter esse êxito de nos transmitir o fim das leis, o fim do bom senso, a inversão da estética, o despedaçar das relações e a fragmentação do convívio social acabam, para os olhares mais atentos, ultrapassando a mera categorização de "filme de terror". Os zumbis de "The Walking Dead" são o pano de fundo, eles estão presentes, mesmo que ausentes. A trama é humana, suas relações e posicionamentos diante do real indigesto é que conduzem o roteiro da HQ que está sendo muito bem adaptada às telas.
Tão bem que inspirou a mim e a Rayssa a compor uma musica chamada "Bad Days" cuja letra nada mais é do que um conto de amor de um cara que simplesmente perdeu sua amada durante o caos instaurado. Os zumbis aparecem na letra condensando tudo de ruim que pode haver em uma situação como essa, mas não o suficiente para impedir de procura-la até o inferno, se for preciso. Abaixo segue a letra, com alguns possíveis erros no inglês. Do caos também se inspira.
Abraço
Matheus Gondim
BAD DAYS (Dry Martinis)
He will never forget that day
The day when the deads came away
band of bag of bones, blood, flesh n´ flies
That day he knew he couldn´t hide
He search her on the streets, highways, roads burnin your feet
still feeling your smell, will not give up, insisting to the hell
Buddy says That ll´ be the Day
The day when you say goodbye
But was not the time and day to die
That day he knew he couldn´t cry
REFF
He will never forget that day
The day when the deads go away
No more bones, blood, flesh n´ flies
But now he knows that don´t need to die
REFF
FIM
Assim, zumbis são malquistos e desprestigiados entre os críticos. Mas talvez porque seus olhares se prendem àquilo que é claramente visível na pele, diga-se de passagem, no podre, na decomposição, no sangue coalhado, grunidos, olhos saltados e esbranquiçados e todos os recursos que os mestres de maquiagem conseguem trazer para a tela. O fato é que há pouca reflexão sobre esses mortos que andam.
É possível captar uma representação nessa temática ? Creio que sim, afinal o que está sendo dito é que a sociedade contemporânea, assim como qualquer outra coisa que se configura no plano real das coisas, é passível de um fim e que este fim pode se apresentar de várias formas, mas independente da forma como se configura a ameaça, seja através de um vírus, de um cometa, de vampiros, de terroristas, de fanáticos religiosos, etc, sempre o que está sendo ameaçado são os laços afetivos, os laços que nos unem. Engana-se quem pensa que é a propriedade. Eu aposto que se houver um novo Orson Wells em nosso tempo a falar na rádio, televisão ou internet sobre uma ameaça em larga escala e com alto poder de destruição se você, caro leitor, não vai pensar (digo se preocupar mesmo) imediatamente nas pessoas que você ama, seu filho ou filha e sua amada(o)...foda-se o carro novo, a geladeira cheia de bohemias, sua coleção de selos e discos...você vai querer muito é ver essas pessoas. Exemplo disso foi o apagão ocorrido há poucas semanas atrás aqui em Manaus, onde a perda de sinal elétrico naquela noite inviabilizou todo e qualquer tipo de comunicação e de locomoção das pessoas, elevando a tensão nas ruas e nos locais de grande concentração de pessoas como shoppings, onde as pessoas não conseguiam sair do estacionamento devido à escuridão e outras ficaram presas por horas nos elevadores.
Não à tôa, em filmes de zumbi, esse recurso é bastante utilizado para aumentar a tensão em algum momento: o pai ou namorado que cruza a cidade infestada para tentar achar seu ente querido, o que geralmente acaba dando errado. Ao contrário do personagem caipira de raiz Daryl Dixon, que procura manter apenas uma taxa de 10% envolvimento com os demais sobreviventes de The Walking Dead e acabou se tornando um ídolo na série, porque a aparente ausência de envolvimento emocional o torna livre a ponto de seguir trilhas sozinho munido de um Horton Scout crossbow (tipo de arco) com apenas uma flecha. Mas não se enganem, ele talvez seja um dos personagens que mais sente essa agonia a qual me refiro, essa agonia do NADA, de até então lutar contra uma sociedade injusta e simplesmente um dia acordar com ela em pedaços e não saber lidar com isso, sentir na pele a angustia de viver em um lugar tomado pelo nada, ali por onde a morte andou.
Esse é o mérito do roteiro zumbi, seja ele adaptado para uma HQ, um curta ou longa, não é apenas o "gore", o trash e o xarope de groselha, mas a sensação de desamparo que um mundo tomado por mortos proporciona aos que ainda conseguem sentir isso. E os filmes de zumbis que conseguiram obter esse êxito de nos transmitir o fim das leis, o fim do bom senso, a inversão da estética, o despedaçar das relações e a fragmentação do convívio social acabam, para os olhares mais atentos, ultrapassando a mera categorização de "filme de terror". Os zumbis de "The Walking Dead" são o pano de fundo, eles estão presentes, mesmo que ausentes. A trama é humana, suas relações e posicionamentos diante do real indigesto é que conduzem o roteiro da HQ que está sendo muito bem adaptada às telas.
Tão bem que inspirou a mim e a Rayssa a compor uma musica chamada "Bad Days" cuja letra nada mais é do que um conto de amor de um cara que simplesmente perdeu sua amada durante o caos instaurado. Os zumbis aparecem na letra condensando tudo de ruim que pode haver em uma situação como essa, mas não o suficiente para impedir de procura-la até o inferno, se for preciso. Abaixo segue a letra, com alguns possíveis erros no inglês. Do caos também se inspira.
Abraço
Matheus Gondim
BAD DAYS (Dry Martinis)
He will never forget that day
The day when the deads came away
band of bag of bones, blood, flesh n´ flies
That day he knew he couldn´t hide
He search her on the streets, highways, roads burnin your feet
still feeling your smell, will not give up, insisting to the hell
Buddy says That ll´ be the Day
The day when you say goodbye
But was not the time and day to die
That day he knew he couldn´t cry
REFF
He will never forget that day
The day when the deads go away
No more bones, blood, flesh n´ flies
But now he knows that don´t need to die
REFF
FIM
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